Segundo o Ministério da Saúde, atualmente, cerca de 40% dos brasileiros tem colesterol alto e morrem por volta de 300 mil pessoas por ano no país, em decorrência de infartos e derrames, que podem estar relacionados com altos índices de colesterol no sangue.

O colesterol não é apenas vilão, pois é essencial para o bom andamento do corpo humano. Mas, para isso, é preciso que os níveis estejam sempre controlados. Conforme a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, cerca de 70% do colesterol é produzido pelo próprio organismo, no fígado. Os demais 30% vêm da dieta e, por isso, é tão importante manter uma alimentação equilibrada.

É importante saber que existem dois tipos de colesterol, o HDL – com lipoproteínas de alta densidade –, e o LDL – com lipoproteínas de baixa densidade. O primeiro é o chamado bom, pois mantém as artérias limpas e remove a gordura nos vasos sanguíneos. Ele tem a função de transportar o colesterol ruim para o fígado para ser metabolizado e, posteriormente, eliminado pelo organismo. O outro é o perigoso, pois retém gordura nas artérias e, com isso, os órgãos vitais recebem menos sangue, causando derrames e infartos.

No caso dos brasileiros, os hábitos alimentares têm como forte característica o consumo de quantidades desnecessariamente grandes de sal, carboidratos e gorduras, conforme explica Luiz Velloso, cardiologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. “Seria um grande avanço para a saúde de nossa população se as novas gerações fossem habituadas a uma alimentação mais saudável, com maior consumo de fibras, substituindo boa parte do sal pelas variadas ervas e condimentos de que dispomos, e os carboidratos por vegetais e legumes”. As gorduras saturadas, presentes em alimentos de origem animal – como ovos, derivados do leite, carne –, e produtos industrializados e processados, com muita gordura trans, aumentam as taxas de colesterol.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o colesterol alto não está ligado à obesidade, mas à má alimentação e à falta de atividade física. Além disso, há a predisposição genética para altas taxas de colesterol. Estas pessoas são as que precisam tomar mais cuidado, pois devem se alimentar bem e praticar atividades físicas para compensar a tendência do seu próprio corpo para acumular o colesterol. O estresse e o tabagismo também são fatores que colaboram para este acúmulo.

O que acontece é que quando o colesterol está em níveis elevados, ele se deposita nas paredes internas das artérias, evoluindo para obstrução parcial ou total dos vasos, fator este predisponente para um AVC. Os sintomas podem aparecer de acordo com o tamanho da obstrução ou por surgimento de dores após a exposição a esforços, como quando se pratica atividade física, por exemplo.

O nível máximo de colesterol total para adultos saudáveis é de 200 mg/dL. Já o nível de LDL deve estar entre 70 e 100 mg/dL. “É uma doença silenciosa, com inexistência de sintomas. O exame de sangue é a única maneira de analisar como está seu nível no organismo. Por isso, é importante ir regularmente um médico, fazer o acompanhamento e seguir os cuidados para evitar o problema, pois em alguns casos o tratamento com medicamentos deve ser iniciado o quanto antes, junto com as mudanças para um estilo de vida mais saudável”, ressalta a cardiologista Carmen Weigert, do Hospital Cardiológico Costantini.

Então, prefira os integrais, leite e iogurtes desnatados, queijos brancos e light, carnes brancas ou vermelhas grelhadas e cozidas. Evite frituras, refrigerantes, coma frutas e legumes, pratique atividade física regularmente, mantenha o peso dentro do normal para a sua altura, reduza o consumo de álcool, abandone o cigarro e evite o estresse.