Dia 17 de abril é o Dia Mundial da Hemofilia, e consideramos importante divulgar mais informações sobre a doença, tanto para desmistificá-la quanto para que cada vez mais pessoas procurem o diagnóstico e o tratamento dessa condição.

A Hemofilia é uma doença hereditária hemorrágica grave, na qual o sangue não coagula como deveria. Ela afeta principalmente homens e caracteriza-se pela deficiência de fatores de coagulação do sangue. Por isso, portadores da doença têm dificuldade em controlar sangramentos, sejam espontâneos ou causados por algum pequeno trauma. Isso pode diminuir drasticamente a qualidade de vida das pessoas afetadas, além de seus familiares, amigos e cuidadores.

Dependendo do grau de ausência destes fatores coagulantes, a doença é classificada em tipos A e B, sendo o A o tipo mais comum (cerca de 80% dos casos diagnosticados). A Hemofilia A afeta mais de 320 mil pessoas em todo o mundo, e cerca de 50% dessas pessoas apresentam uma forma grave da doença.

Em pessoas saudáveis, proteínas chamadas de fatores de coagulação atuam formando um coágulo, que é o principal responsável por parar um sangramento. Pessoas com Hemofilia A não têm – ou têm muito pouco – um fator de coagulação chamado fator VIII, o que não permite uma coagulação adequada. Sem tratamento, essas pessoas podem sofrer equimoses, sangramentos recorrentes em músculos e articulações, sangramentos espontâneos em órgãos vitais, como o cérebro, e sangramentos prolongados e descontrolados após uma lesão ou cirurgia.

Infelizmente, a Hemofilia ainda não tem cura. O tratamento de reposição do fator VIII no Brasil é gratuito, fornecido pelo Ministério da Saúde, e pode ser feito por demanda (repondo o fator deficiente quanto acontecem os sangramentos) ou de forma preventiva (para evitar que o sangramento ocorra). Essas infusões têm ação curta e precisam ser administradas ao menos duas vezes por semana. Elas tomam bastante tempo e acabam tendo um impacto significativo na vida das pessoas com Hemofilia. No entanto, é importante equilibrar o tratamento com a rotina, pois, sem tratamento, o paciente fica vulnerável a sangramentos potencialmente perigosos.

Nos casos mais graves, a pessoa pode desenvolver inibidores do tratamento, anticorpos que atacam e destroem o fator VIII que foi reposto. Dessa forma, o tratamento precisa ser feito em doses maiores e aplicações ainda mais frequentes.

Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, menores serão as sequelas deixadas pelos sangramentos. Após o controle da fase ajuda, o paciente deve ser encaminhado para fisioterapia para reforçar a musculatura e as articulações.